{café e rivotril}

quando as confissões se libertam

efêmero

eu me rendi à falta de rotina. esse é o significado de férias. tenho cedido aos prazeres da cama. e neles cabem apenas eu, o edredom e filmes. ninguém mais. nada mais. nem livros, nem o caderno. essa falta de energia persiste. a vida continua chata, pela falta de um termo melhor. nada extrínseco acontece. ainda que internamente tenho feito malabarismos para seguir vivendo e trabalhando. porventura, a monotonia tem me cansado. eu sinto falta do intenso, mesmo que a consequência natural seja sofrer. eu necessito constantemente de dissabores. masoquista. auto destrutiva. ou o nome que quiserem. é uma contradição. uma vez que as mudanças não fazem parte da lista de favoritos. confusões. o futuro incerto. o presente certo. entre viver alucinadamente e o insosso. eu adoraria escolher sempre o que será fugaz.

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da esperança momentânea

há algumas semanas, como venho evidenciando nos últimos parágrafos, um cansaço frente a minha aparência, jeito e vida tomou conta dos devaneios. quero aquele olhar claro e limpo das cenas do Mundo. no entanto, querer não é poder, e a vida segue tão opaca quanto antes. as angustias engasgam e parece que a qualquer momento uma catástrofe acontecerá. a indiferença exteriorizada frente aos  aspectos da vida é a única reação do corpo, mesmo que racionalmente eu saiba o que cada momento pede. viver dessa maneira tem sido um porre.

eu preciso me salvar da depressão. análise. psiquiatra. pilates. a escrita. eu me mantive no mundo e, aos poucos, fui voltando a viver em sociedade diariamente. já consigo levantar da cama. as crises acontecem raramente. ainda assim, esse cansaço que me dominou pede outras saídas. eu ainda não sei quais são.

no feriado, repaginei esse confessionário. assisti mulher maravilha. cortei o cabelo na altura dos ombros. platinei o cabelo. aquele castanho que fui deixando nos últimos dois anos precisava sair. como sempre, sigo acreditando fielmente que mudar radicalmente as madeixas gera alguma espécie de mágica. em um estalar de dedos, tudo é deixado para trás. reinventar é possível.

pode ser que hoje, isso aconteça. amanhã, porventura, eu me frustre. contudo, deixaremos a instabilidade a cargo das manhãs que virão.

hoje, eu precisava mudar a aparência. agarrei na esperança de que isso transformará tudo que vem me deixando cansada.

mulher maravilha

assisti ontem. não vou arriscar nenhuma grande análise feminista, não estaria confessando muita coisa. de toda forma, quero ser a mulher-maravilha. empoderada. guerreira. forte. obstinada. encontramos a resposta da famosa pergunta “quem você quer ser” que às vezes aparece na análise… uma pena a psiquiatria não ser como mágica. quem eu quero ser é quem eu realmente sou. todavia, como se descobre quem se é? como saber se a vida nos pertence? e se tudo isso for uma farsa? ainda pior, se o sofrimento por tentar romper com quem sou. pelo não aceitar. frágil. pequena. insignificante. ando passiva. ainda que a mente lute constantemente.

e afins

ainda não me resolvi comigo mesma. o movimento pendular entre o conhecido e o desconhecido. quem sou eu e afins. tem sido complicado escrever algo que não seja sobre esse assunto especificamente. um turbilhão de pensamentos passiveis de sofrimento. contudo, tenho escrito, mesmo com súbitas paralisias limitando o léxico. talvez isso que salva a vida diariamente. de todo modo, se você lê isto pelo email ou leitor do wordpress não notou, mas mudei a aparência do meu confessionário. voltei a ser apenas t. por aqui. apenas os textos que são disponibilizados. isso basta. enquanto não me acertar comigo mesma.

do evitar

percebi há pouco dias que talvez eu esteja me evitando. aquele movimento que fazemos para fugir do confronto. damos desculpas esfarrapadas e fingimos seguir adiante, como se tudo estivesse melhor. eu não me olho no espelho, apenas se eu for obrigada. como eu odeio aqueles banheiros em que as cubas da pia se refletem nas paredes. tento evitar, um vacilo e percebo meu reflexo me encarando. algum dia, tenho a impressão, de que irá vociferar algo. eu miúda não sei se aguento. engulo a angustia e torço para não precisar ir ao banheiro tão cedo. ainda não sei se é medo ou piedade que me impedem de conviver harmonicamente comigo mesma. de toda forma, há algo em mim que não me aguenta; não me suporta.

das interrupções

tenho escrito pouco. na verdade, mentalmente, escrevo um livro por dia. sobrecarregado de devaneios. ainda assim, a vontade de escrever e tornar palpável o pensamento não consegue se sobressair diante do cansaço do meu corpo. descompassada. o cotidiano me interrompe. o clímax nunca chega. as angustias, obviamente, acumularam-se. meus olhos me alertam: “ando deprimida”. não existe um expectro tão amplo de cores. a vida concreta anula as possibilidades de subjetividade. ainda que eu esteja vivendo a vida concreta… talvez, conscientemente, pedindo para que ela me engula de vez e os aspectos individuais da vida se tornem irrelevantes… e a angustia vai para onde?

da cilada

esses dias, pensei: “um diazinho sem tomar os remédios não vai causar nenhum mal”. não tomei. pois é, cilada. em algum momento, a chave virou, e eu fui torturada por mim mesma durante horas. incontrolável. tinha me esquecido como é ser avalanche. só não digo que sinto saudade, porque eu realmente não aguento o tranco. ainda assim, é impossível não perceber o quanto a estabilidade é desconfortável. como tudo que é novo. talvez esse seja o preço da vida.

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